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Texto escrito pela nutricionista Priscila Di Ciero, especialista em nutrição esportista.
Vegetarianismo X Atividade física
A busca por uma dieta ideal para esportistas e atletas não se limita ás últimas décadas. Atletas e treinadores das civilizações antigas também tentaram aprimorar as proezas atléticas testando dietas.
A carne vermelha, por exemplo, vem associada com força física e virilidade, e esse pensamento pode ter sido iniciado na antiguidade, como mostram alguns relatos na literatura e livros de fisiologia do exercício. Os pedótribas (espécie de personal-trainer atual) aconselhavam seus atletas quanto ao treinamento e ao cardápio a ser adotado. O mais famoso relato antigo de consumo de alimentos por um atleta foi descrito por um campeão Olímpico (5 vezes) de luta livre (532 a.C), que supostamente consumiu uma “ração” diária de 9 Kg de carne e 9Kg de pão, e 8,5 litros de vinho por dia!
Os pedótribas prescreviam grandes quantidades de alimentos para boxeadores e lutadores. E aqueles que passavam por problemas de saúde, modificavam sua dieta, segundo Gardiner (480a.C):
“A dieta dos atletas tem sido, como aquele da maioria dos camponeses gregos, principalmente vegetariana, consistindo em figos, queijo fresco, mingau de aveia e bolos com carne apenas ocasionalmente, como aperitivo, e vinho. No entanto, logo após as Guerras Pérsicas ocorreu uma mudança. Uma dieta com carnes foi introduzida por alguns treinadores”.
O Vegetarianismo ganhou destaque em 580 a.C, com o filósofo grego Pitágoras, que postulou:
“Enquanto o homem continuar a ser destruidor impiedoso dos seres animados dos planos inferiores, não conhecerá a saúde nem a paz. Enquanto os homens massacrarem os animais, eles se matarão uns aos outros. Aquele que semeia a morte e o sofrimento não pode colher a alegria e o amor”
Segundo os relatos da época, o objetivo de uma dieta rica em carnes era produzir massa e força muscular consideradas necessárias aos boxeadores e lutadores. Na Grécia, não se praticava a separação dos atletas segundo seu peso. No boxe e nas lutas, o “peso pesado” representava uma vantagem natural. Portanto, para produzir massa muscular, o treinador prescrevia quantidades enormes de carnes!
O mito de que comer muita proteína (em especial as carnes!) aumenta força e massa muscular além de errôneo, por vezes é divulgado até por profissionais da área da saúde. O excesso de proteínas na dieta leva a prejuízos na função renal, aumenta perda óssea a longo prazo, leva á desidratação, e em nada vai auxiliar no processo de hipertrofia (ganho de massa muscular). Para que esse objetivo seja alcançado, é imprescindível associar o estímulo através do exercício contra-resistência (musculação), descanso e hidratação adequados, e dieta balanceada.
Por que ser esportista/ atleta/ vegetariano?
Pesquisas mostram que, dentre os motivos, estão:
- A necessidade por uma dieta rica em carboidratos (relevante para atletas e praticantes de atividade física por disponibilizar substrato para uma melhor síntese de glicogênio);
- Razões filosóficas, religiosas e até econômicas.
De acordo com a Associação Dietética Americana (2003), dietas vegetarianas oferecem muitos benefícios nutricionais, como baixa ingestão de gordura saturada e colesterol, e alta ingestão de carboidratos, fibras dietéticas, magnésio, potássio, folato, antioxidantes (como as vitaminas C e E) e fitoquímicos. Entretanto, Sabate (2003) cita que uma dieta vegetariana desequilibrada ou restritiva, particularmente em situações de altas demandas metabólicas (como durante o exercício), pode provocar deficiências nutricionais caso não seja bem planejada e balanceada. Esse desequilíbrio, na realidade, pode ocorrer em qualquer dieta, inclusive na onívora. Por isso, antes de pensar em mudanças em seu cardápio, consulte sempre um profissional habilitado.
Performance Atlética em Vegetarianos
Pesquisas experimentais em humanos indicam que vegetarianos e não-vegetarianos apresentam capacidade aeróbica semelhante. Quanto ao desempenho em atividades de força e potência, as pesquisas são escassas, mas também não apontam diferenças significativas. Na prática, esportistas e atletas ovo-lacto-vegetarianos alcançam facilmente hipertrofia, caso associa-se treino específico e descanso necessário – fundamentais para resultados efetivos também nos onívoros.
Baseado em alguns artigos, dietas vegetarianas bem planejadas – balanceadas e variadas – parecem ser efetivas para garantir bom rendimento esportivo. Porém, há poucos estudos bem controlados que avaliem os efeitos de dietas vegetarianas na performance de atletas e esportistas. Mais pesquisas, inclusive as de âmbito nacional, são necessárias para que conclusões possam ser endossadas.
RECUROS ERGOGÊNICOS NUTRICIONAIS
A indicação de suplementos é uma importante ferramenta que, em situações específicas, pode auxiliar no desempenho atlético e suprir planos dietéticos deficientes em determinado nutriente. Entretanto, é de fundamental importância alertar sobre a real necessidade desse tipo de estratégia por parte dos atletas, esportistas e treinadores que insistem no seu consumo.
Para averiguar a necessidade dessa manipulação dietética, é importante consultar um nutricionista esportivo.
Alguns atletas vegetarianos famosos:
Carl Lewis (atletismo-vegano)
Dave Scott (vegano – 6x vencedor do Ironman)
Éder Jofre (pulginista)
Martina Navratilova (tênis)
Dicas úteis:
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Hidrate-se adequadamente, especialmente se você faz exercícios ao ar livre. Água de coco e bebidas esportivas podem ser úteis em exercícios prolongados Ou em dias muito quentes;
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O descanso é fundamental para que se atinja os resultados esperados com o exercício físico regular;
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Nunca se exercite em jejum com intuito de emagrecer. Pode ser uma prática perigosa e pouco produtiva;
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Para evitar catabolismo (=perda) muscular, alimente-se antes e logo após a atividade física;
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Coma sempre 1 castanha-do-Pará ao dia para suprir necessidade de selênio: mineral antioxidante importante para a saúde e para atividade física;
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Frutas, verduras e legumes devem aparecer no cardápio do esportista/atleta diariamente, lavando-se bem e os variando para obter maior aporte de nutrientes e fitoquímicos;
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Somente utilize suplementos esportivos se orientados por um profissional especializado.
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