Os dados apreentados nesse texto são parte do que encontrei na minha tese de mestrado, com tema: " Avaliação do estado metabólico e nutricional de indivíduos vegetarianos e onívoros".
Todos os dados sobre a escolha dos participantes, podem ser vistos no texto sobre avaliação ligado a doenças cardiovasculares (nessa mesma seção, sobre avaliação nutrológica).
Ferro
É um mineral importantíssimo para o corpo humano. Cada músculo que contrai precisa do ferro. Para transportar o oxigênio precisamos dele.
Inúmeras reações químicas vitais ao bom funcionamento do nosso organismo dependem do ferro e sua deficiência é uma das mais sintomáticas que encontramos. leia mais sobre ele na seção "Nutrientes", nesse site.
A alimentação fornece o ferro que precisamos?
A alimentação fornece ferro. Isso é fato. Mas o problema do ferro não é o quanto comemos, mas sim o quanto perdemos. A grande maioria do ferro está concentrada no sangue.
É muito mais difícil encontrar um homem com falta de ferro do que uma mulher, pois a mulher é mais vulnerável à perda de sangue.
A menstruação, por si só, contribui para a perda de sangue e, conseqüentemente de ferro. A gestação exaure os estoques de ferro de uma mulher e, se ela não receber o devido suporte, termina a gestação com deficiência.
Quem tem hemorróidas que sangram, perde sangue e, conseqüentemente, ferro.
Doar sangue é uma atitude nobre e excelente para quem recebe o sangue. Deve ser incentivada, mas ela exaure os estoques de ferro de qualquer pessoa e, por isso, quem doa deve avaliar os estoques e repor se necessário. É muito difícil encontrar um doador de sangue sem deficiência de ferro.
| Na doação de sangue não é avaliado seu estoque de ferro! Portanto, se você doa sangue seu médico deve estar atento à dosagem do estoque de ferro. |
Uma pessoa pode não ter anemia, mas quando o estoque de ferro está baixo, os sintomas já são evidentes.
O problema fica crítico se a mulher tem hemorróida, menstrua em abundância, teve uma ou mais gestações e doa sangue. Aí não tem ferro que agüente!
| Portanto, o problema do ferro está muito mais relacionado a fatores individuais da pessoa (como ela perde sangue) do que o que ela come. |
Os exames laboratoriais
A avaliação do hemograma é fundamental para entender como está o ferro no organismo. Geralmente nos atemos apenas à dosagem da hemoglobina, mas não é apenas ela que deve ser observada. Há, pelo menos, 7 parâmetros no hemograma que devem ser observados e todos eles têm importância na avaliação.
A importância da hemoglobina se deve ao fato dela transportar o nutriente mais importante para o nosso corpo: o oxigênio. Sem comer ou beber podemos sobreviver alguns dias. Sem oxigênio, por 5 minutos, estamos mortos!
Assim, a hemoglobina ganha muita importância ao entendermos que quando ela está reduzida no organismo, o oxigênio está com mais dificuldade de chegar em todas as células do organismo, sobrecarregando o coração (que tem que bater mais rápido) e levando a uma fadiga importante. O ferro é uma das matérias primas para construirmos a hemoglobina.
Hemoglobina abaixo dos parâmetros considerados normais recebe o nome de anemia.
O problema da avaliação do ferro é que não podemos esperar a hemoglobina ficar baixa para detectar a falta do ferro. É óbvio! Se a hemoglobina tem a função de transportar o nutriente mais importante (oxigênio) para o corpo, quando há falta de ferro, ele vai ser retirado de todas as células para ser entregue à medula óssea, que é o local que constrói a hemoglobina. Hemoglobina é prioridade! Ela só vai ficar reduzida pela falta de ferro quando esse nutriente estiver, literalmente, exaurido.
Assim, na avaliação clinica é também importante dosar seu estoque, que acaba sendo representado pela ferritina. E muito cuidado ao avaliá-la, pois diversos fatores podem mascarar o seu valor real.
Portanto, pelo menos 8 fatores podem e devem ser usados para avaliar o ferro através do hemograma e da ferritina. Há outros exames que também podem ser utilizados, como o transportador de ferro (transferrina) mas os principais para essa avaliação são esses descritos anteriormente.
DADOS QUE ENCONTREI NA AVALIAÇÃO
Avaliamos 59 mulheres vegetarianas e não vegetarianas em idade fértil. Elas menstruavam regularmente e não utilizavam suplementos de ferro.
Ingestão de ferro
A quantificação do ferro ingerido se mostrou equivalente em quem come ou não come carne.
| Mulheres vegetarianas ingeriam 6,58 mg de ferro para cada 1.000 calorias ingeridas, enquanto as não vegetarianas ingeriam 6,35 mg. |
O teor de vitamina C ingerido foi diferente entre os grupos.
| O grupo no vegetariano ingeriu 103 mg de vitamina C por 1.000 kcal, enquanto o não vegetariano, 69 mg por 1.000 kcal. |
Essa maior ingestão de vitamina C favorece a absorção de ferro vegetal ingerido pelo grupo vegetariano.
Dados do Hemograma
Todos os dados do hemograma foram equivalentes entre o grupo vegetariano e não vegetariano, ou seja, não houve diferença entre os grupos.
A avaliação da ferritina e da transferrina também não se mostraram diferentes entre os grupos.
| Assim, após avaliados 9 parâmetros referentes à avaliação do ferro, não encontramos nenhuma diferença entre o estado nutricional desse mineral entre vegetarianos e não vegetarianos. |
Isso, inclusive, é o que mostra a literatura científica já existente.
Tudo equivalente, mas tudo normal?
Os exames todos, apesar de equivalentes entre os grupos e dentro de padrões de normalidade, mostraram que as participantes apresentavam baixo estoque de ferro, assim como variações no tamanho e cor das células, diferentes tamanhos de células (pouca homogeneidade), o que aponta um estado nutricional de ferro deficiente.
Conclusão
Mulheres vegetarianas e não vegetarianas apresentam estado metabólico de ferro equivalente.
Todas elas (vegetarianas ou não) tiveram que receber terapia medicamentosa para o ferro, pois ele se mostrou insuficiente para suprir a demanda metabólica ótima das mulheres.

