Histórico
Por definição, a dieta macrobiótica é um conjunto de regras de higiene conducentes ao prolongamento da vida. A dieta macrobiótica tem princípios que datam de mais de 4.000 anos atrás. É um sistema empírico e a sua base foi a experimentação e a análise minuciosa.
Considera-se Ekiken Kaibara (1630 a 1716) o pai da macrobiótica.
Princípios
A macrobiótica se considera como uma filosofia biológica, fisiológica, social, econômica e lógica. Dentro dos seus princípios, tudo o que existe no universo pode ser classificado em yin ou yang de acordo com as suas características (Tabela 1). A união dessas polaridades denomina-se Tao, constituindo o chamado Princípio Único do Universo.
Tabela 1.
Manifestação das variáveis universais e as suas polaridades.
| Referência | yin | yang |
| Gênero | feminino | masculino |
| Cores | violeta, azul, preto | vermelho, amarelo |
| Temperatura | frio | quente |
| Elemento | água | fogo |
| Minerais | K, P, Ca, N | Na, H, C, Cl |
| Biologia | reino vegetal | reino animal |
| Agricultura | legumes, leguminosas, verduras e frutas | cereais |
| Estações | inverno | verão |
| Paladar | ácido, picante, doce | salgado, amargo |
| Vitamina | C e B | K, D, A |
| Higidez | doença | saúde |
| Órgãos | ocos ou cheios de líquido (bexiga, olhos, vesícula biliar, estômago etc.) | compactos (rins, fígado etc.) |
| Trabalho | intelectual, cerebral | físico, muscular |
Segundo essa filosofia, a doença é decorrente da falta de discernimento do ser humano para compreender as leis que regem esse equilíbrio e para viver de acordo com elas. Devido ao desequilíbrio, surgem as moléstias e o sofrimento.
Dessa forma, todos os alimentos, as manifestações humanas e as variáveis do universo, classificadas em yin ou yang (em maior ou menor grau), são combinadas de forma a esculpir o ser humano e torná-lo apto a viver em harmonia consigo mesmo e com o universo, livre de doenças e do sofrimento. A morte é considerada yin (força centrífuga, dissolução do corpo), assim como a maioria das doenças que atingem a humanidade nos dias atuais. Para equilibrar o organismo, no que se refere à dieta, deve-se utilizar os alimentos balanceando-os dentro de uma combinação doença-alimento, com princípios yin/yang. Distúrbios mais yin devem ser tratados com alimentos mais yang e vice-versa. Seguir as orientações do Quadro 1 é de vital importância dentro desse sistema alimentar.
Princípios básicos da dieta macrobiótica
- Não ingerir alimentos sólidos ou líquidos fornecidos pela indústria, como açúcar, doces e refrigerantes, alimentos enlatados ou engarrafados, ovos não fecundados, conservas etc.
- Não comer frutas nem legumes cultivados artificialmente, com adubos químicos com inseticidas.
- Não comprar alimentos provenientes de regiões muito distantes, pois necessitam de métodos de conservação que são muito prejudiciais.
- Não consumir vegetais ou frutas fora da estação própria.
- Evitar os legumes mais yin: batatas, tomates e beringelas.
- Não usar condimentos ou temperos químicos. Molhos de soja e missô encontrados no comércio são, na maior parte das vezes, produzidos com aditivos químicos. Procurar esses produtos isentos de tais aditivos.
- Utilizar apenas sal marinho integral.
- Não utilizar café e nem chás que contêm corantes e conservantes (os que estão à venda nas casas comerciais são, geralmente, conservados artificialmente ).
- Quase todos os alimentos de origem animal, como galetos, carne de porco ou de vaca, manteiga, queijo e leite, são tratados e produzidos com produtos químicos. Devem ser evitados. As carnes de animais livres de produtos artificiais ou químicos podem ser utilizadas ocasionalmente.
- Evitar fermentos (principalmente à base de bicarbonato de sódio).
- Utilizar apenas alimentos integrais (não refinados).
- Mastigar no mínimo 50 vezes cada porção (de preferência mais de 100 ou 150 vezes).
- Não utilizar panelas de alumínio ou politetrafluoro etileno (Teflon©).
- Beber apenas chás recomendados; o mínimo possível.
De todos os alimentos, os cereais integrais são os únicos considerados equilibrados para o ser humano, devendo constituir a maior parte da dieta. Alimentos crus, como frutas e verduras, são considerados demasiadamente yin, sendo apenas indicados em condições específicas. O fogo é yang e por isso os alimentos devem ser submetidos ao aquecimento para que se tornem mais yang (ou menos yin).
Além da dieta, a macrobiótica preconiza uma atividade física e mental adequadas. Em alguns casos, podem ser utilizadas compressas de alimentos específicos, como gengibre e inhame.
As formas da alimentação macrobiótica
A macrobiótica é, por princípio, um sistema vegetariano estrito (vegano). No entanto, após a sua sistematização e chegada ao ocidente, George Ohsawa se deparou com a dificuldade dos ocidentais de viver sem a ingestão de carne, incluindo assim o seu uso em alguns níveis da dieta. Existem, portanto, 10 maneiras de seguir a dieta macrobiótica (Tabela 2).
Tabela 2.
As 10 maneiras de comer através da Macrobiótica
| Número |
Cereais % | Vegetais % | Sopas % | Carnes % | Saladas e Frutas % | Sobrem. % | Bebidas (líquidos de qualquer tipo) |
| 7 | 100 | - | - | - | - | - | O menos possível |
| 6 | 90 | 10 | - | - | - | - | |
| 5 | 80 | 20 | - | - | - | - | |
| 4 | 70 | 20 | 10 | - | - | - | |
| 3 | 60 | 30 | 10 | - | - | - | |
| 2 | 50 | 30 | 10 | 10 | - | - | |
| 1 | 40 | 30 | 10 | 20 | - | - | |
| -1 | 30 | 30 | 10 | 20 | 10 | 10 | |
| -2 | 20 | 30 | 10 | 25 | 10 | 10 | |
| -3 | 10 | 30 | 10 | 30 | 15 | 15 |
Considera-se mais seguro (sob o ponto de vista do Princípio Único, em relação à manutenção da saúde) permanecer nas dietas de nível 5 a 7. Como orientação para utilizá-la, podemos nos basear nos princípios adotados pelo Instituto Macrobiótico do Dr. Henrique Smith:
| dieta 7, chamada de “dieta de choque” - indicada para as doenças graves, degenerativas, assim como para as de etiologia desconhecida pela medicina tradicional; | |
| dieta 5, considerada como “dieta normal” - indicada para pacientes sem queixas, idosos ou jovens, que procuram a macrobiótica por opção alimentar; | |
| dieta “específica”, destinada a pacientes que apresentam reações para o lado de algum órgão ou aparelho. Inclui a dieta normal (número 5), acrescida de algum alimento específico, ligado ao caso em pauta (obesidade, reumatismo, câncer etc.); | |
| dieta “especial”, indicada para casos adiantados de enfermidade e desintegração orgânica. É a dieta normal, acrescentando-se sopa de missô (preparado sem conservantes), caldo cremoso, Tekka (preparado especial a base de raízes) e outros específicos (caso de hemorragias, infecções localizadas ou generalizadas, etc.); | |
| as dietas -1, -2 e –3, são autorizadas somente aos macrobióticos antigos, que já sabem como comer, como se equilibrar, como se defender e como se curar. |
De forma mais flexível, o autor Kushi mantendo a recomendação de que a dieta seja orgânica e minimamente processada, propõe a seguinte composição.
Diariamente:
| pelo menos 50% do volume de cada refeição em cereais integrais (principalmente na forma de grãos: arroz integral, cevada, painço, aveia, trigo, trigo mourisco. Utilizar, em menor quantidade, talharim, pães e farinhas); | |
| 20 a 30% de vegetais, preparados de diferentes formas e produzidos próximos ao local em que se vive. Isso inclui pequenas quantidades de vegetais crus ou conservados em salmoura; | |
| 10 a 15% de feijões de vários tipos, bem como os seus derivados (tofu, tempeh - um derivado fermentado de soja); | |
| algas marinhas em consumo regular; | |
| 5% do volume da dieta na forma de sopas. |
Semanalmente (ou menos):
| pequenas quantidades de frutas (duas ou três vezes por semana, de preferência cozida), peixes (menos de 15% da refeição, uma ou duas vezes por semana) e sementes (como lanche ou reforço alimentar). | |
| Ocasionalmente (mas, de preferência, não utilizar): | |
| carne vermelha, laticínios, alimentos que contenham aditivos químicos e ovos. | |
Referências bibliográficas
1. Silva PA, Lourenço FMB, Maurer JHTMF, et al. Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa Mirador Internacional. 4a ed. São Paulo: Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda. .
2. Smith H. Breve histórico da macrobiótica. In: Smith H. Macrobiótica Zen para o Brasil. 1a ed. São Paulo: Hagaesse; 1994. p 18-21.
3. Smith H. Yin-Yang. O princípio único. In: Smith H. Macrobiótica Zen para o Brasil. 1a ed. São Paulo: Hagaesse; 1994.p 59-72.
4. Nyoiti S. As dez maneiras de nos alimentarmos convenientemente. Nyoiti S. In: Macrobiótica Zen. A Arte da longevidade e do Rejuvenescimento. 9a ed. Porto Alegre: Associação Macrobiótica de Porto Alegre; 1989.p.35-9.
5. Smith H. Dietas macrobióticas. In: Smith H. Macrobiótica Zen para o Brasil. 1a ed. São Paulo: Hagaesse; 1994.p 199-201.
6. Ohsawa G. Guia prático de Medicina Macrobiótica. São Paulo: Ícone; 1992.p.43-4.
7. Kushi M, Jack A. The Cancer Prevention Diet: Michio Kushi’s Macrobiotic Blueprint for the Prevention and Realief of Disease. New York: St Martin’s Press; 1993.
8. Kushi M. A forma padrão da alimentação macrobiótica. In: Kushi M. A cura natural pela macrobiótica. 2a ed. São Paulo: Ground; 1987.p.25-8.
