Problemas de Saúde

Imprimir

Deficiência Imunológica

Escrito por Dr Eric Slywitch. Publicado em Problemas de Saúde.

Os hábitos alimentares são importantes para a manutenção do sistema imunológico bem funcionante, mas há outras funções básicas do organismo que devem ser cuidadas. Dependendo da forma que elas são negligenciadas, o seu impacto sobre o sistema imunológico pode ser muito pior do que a má alimentação.
Sono

Não há sistema imunológico que resista às noites mal dormidas.

Sabemos que existem variações de necessidades entre os indivíduos, mas grande parte das pessoas necessita cerca de 8 horas de sono por noite.

Não basta dormir, é necessário avaliar a qualidade do sono. De forma simplista, quando temos uma noite de sono adequada acordamos descansados.

Vale lembrar que há problemas de saúde, emocionais e deficiências nutricionais (que devem ser corrigidas), que afetam a qualidade e a quantidade necessária de sono.

A regra é simples: se o sono não está adequado, o sistema imunológico fica prejudicado

Atividade física

Importantíssima para a saúde e para o bem estar.

O problema da atividade física é o seu excesso, pois tende a deprimir o sistema imunológico. Manter uma prática regular é importante, mas é necessário cautela na progressão da intensidade e freqüência do treino. Não se exceda!

Atividade física em excesso deprime o sistema imunológico.

Sol

Assim como a atividade física, o seu excesso é nocivo ao sistema imunológico.

Estresse

O estado emocional tem ligação com diversas funções do organismo, e isso inclui o sistema imunológico.

Manter a serenidade mental pode ser um desafio diário, mas é parte do nosso treinamento para alcançar melhor qualidade de vida.

ALIMENTAÇÃO

Diversas deficiências, como as de ferro, selênio, zinco, cobre, vitamina A, C e E, vitamina B6, B9 e B12 comprometem o sistema imunológico. Seria impossível citar todos os nutrientes apenas nessa edição. Conversaremos sobre alguns deles.

Obesidade e desnutrição

Ambas tendem a reduzir a imunidade.

Gorduras

Quando o nosso organismo é invadido há uma série de comunicações que ocorrem para que o sistema imunológico atue com eficiência. Parte desse processo é influenciado por produtos derivados dos óleos e gorduras ingeridas. Cada tipo de gordura, ou óleo, tem características particulares.

O excesso de um tipo de óleo, que chamamos ômega-6 (presente em maior proporção no óleo de girassol, milho, gergelim) tendem a exacerbar negativamente algumas reações, enquanto o ômega-3 (presente em maior proporção no óleo de linhaça, canola e soja) tende a melhorar esse perfil de reações. O ômega-9, presente em maior proporção no azeite de oliva, tem ação neutra.

O tipo de gordura ingerida tem grande importância na manutenção da flexibilidade da célula. As gorduras saturadas (mais presentes nos produtos de origem animal) tendem a deixar as membranas menos flexíveis, o que dificulta a defesa do organismo pelo processo que chamamos fagocitose.

Minerais

A deficiência de ferro é comum em indivíduos vegetarianos e não vegetarianos. Nessa situação ocorre redução da função das células de defesa (leucócitos) com redução da resistência às infecções. A correção da deficiência de ferro apenas com a alimentação é muito difícil (comendo ou não a carne).

O zinco tem função importante no sistema imunológico. São boas fontes alimentares para a manutenção: cereais integrais, feijões e oleaginosas.

Deixar esses grãos de molho na água (temperatura ambiente) por 12 horas melhora a biodisponibilidade desse mineral.

O Selênio tem função imunológica parcialmente conhecida. É verificado que na sua deficiência a neutralização dos vírus é reduzida. O uso diário de uma a duas Castanhas do Pará é uma excelente forma de garantir todo o selênio necessário para o dia. Não coma mais que dez por dia, pois essa quantia pode levar à intoxicação por excesso de selênio.

Vitaminas

A vitamina B12 quando deficiente, leva à menor produção de células do sistema imunológico (linfócitos) e menor eficiência em atuar frente aos invasores. As células do sistema imunológico respondem mais lentamente aos estímulos para se multiplicarem (para lutarem contra os invasores), têm menor capacidade de destruição de bactérias (função bactericida) e de capturarem os invasores (fagocitose). A vitamina B12 é encontrada em alimentos de origem animal.

A vitamina A com o seu representante de origem vegetal, o betacaroteno, tem função importante na manutenção da barreira de proteção natural do nosso organismo: pele, pulmões e intestino. Isso significa que ela é capaz de ajudar a dificultar a passagem de microorganismos do meio ambiente para o interior do nosso corpo. O betacaroteno também afeta diretamente a função imunológica, pois ativa a proliferação de células de defesa (linfócitos). O betacaroteno deve ser obtido por meio da alimentação e não de suplementos. São boas fontes: cenoura, abóbora e batata doce cozidas, mamão, manga e caqui.

A vitamina C participa de reações importantes nos leucócitos (células de defesa do nosso organismo). O limite máximo recomendado para a ingestão diária é de 2.000 mg, pois ingestão mais elevada está associada à diarréia em algumas pessoas. O alimento capaz de fornecer esse teor em pequeno volume (100 gramas de polpa) é a acerola. As demais frutas cítricas e diversas verduras e legumes são excelentes fontes dessa vitamina, mas em teores bem menores do que a acerola. Dificilmente há deficiência dessa vitamina em vegetarianos, a menos que a dieta seja demasiadamente processada, sem verduras, legumes e frutas.

Excesso de vitaminas e minerais

Radicais livres são compostos formados continuamente pelo nosso organismo. Quando em excesso, eles têm o inconveniente de causar danos às células, o que chamamos de oxidação. Para neutralizá-los, existem os antioxidantes, como a vitamina C, E, A e compostos que dependem de zinco, manganês e selênio, dentre outros.

Os radicais livres são importantíssimos para a proteção do organismo, pois as nossas células de defesa os utilizam para se defenderem contra os invasores. Por isso:

o uso excessivo de vitaminas com ação antioxidante pode apresentar efeito imunodepressor (deprime o sistema imunológico)

.Alimentos

Alimentos como cogumelos, alho, gengibre e própolis podem conter compostos benéficos ao o sistema imunológico, mas os estudos ainda são insuficientes para afirmar o real poder contra vírus que eles contêm. O seu uso pode ser incentivado, mas sem a alimentação adequada como um todo, o seu efeito, provavelmente, é mínimo.

Sangue ácido?

É mito que o sangue ácido favorece a disseminação do vírus, conforme diversas divulgações encontradas na internet. O motivo é simples: não há sangue ácido! O nosso sangue é discretamente alcalino e mantido com rigor nessa faixa (pH entre 7,34 e 7,43). Modificações, mesmo que pequenas desses parâmetros são suficientes para levar o indivíduo à morte.

Conclusões

Manter um estilo de vida regrado, respeitando as funções básicas do organismo (atividade física, sono, estado emocional equilibrado) associado à alimentação balanceada, integral e natural são atitudes importantes para manter a integridade do sistema imunológico.

A correção de deficiências nutricionais é importante para otimizar o equilíbrio do organismo. Não fume e evite o consumo excessivo de álcool.